Muitos líderes de RH argumentam: "Já fazemos uma pesquisa de clima anualmente que inclui perguntas sobre nossos valores e cultura. Então não precisamos de um diagnóstico cultural separado."
O raciocínio é compreensível, mas equivocado. Clima e cultura operam em níveis diferentes de profundidade e servem a propósitos distintos. Confundi-los cria uma falsa sensação de controle sobre algo que, na prática, não está sendo gerenciado.
Clima é a percepção compartilhada que os colaboradores têm sobre o ambiente de trabalho em um dado momento. Ele capta como as pessoas se sentem em relação a liderança, comunicação, reconhecimento e segurança psicológica, entre outros.
Por se basear nas percepções sobre o que acontece na organização, é flutuante e momentâneo, reagindo a mudanças de gestão, bônus, reestruturações, ciclos de mercado.
Funciona como um termômetro: essencial para monitorar a saúde organizacional continuamente, mas insuficiente para diagnosticar doenças estruturais.
Se o clima é o termômetro, a cultura é o sistema imunológico da organização. Mais profundo, mais estrutural, mais difícil de mudar e, sobretudo, mais estratégico.
Edgar Schein, autor amplamente reconhecido no campo da cultura organizacional, define cultura como o conjunto de pressupostos básicos compartilhados que um grupo aprendeu ao resolver seus problemas de adaptação externa e integração interna. Em síntese, "o jeito certo de fazer as coisas por aqui".
Dessa forma, cultura trata do que as pessoas fazem, por que fazem, e se esses comportamentos sustentam a estratégia da empresa.
O diagnóstico de cultura não se limita a medir percepções de satisfação: ele avalia traços culturais e sua relação com desempenho organizacional. É um instrumento conceitual e empiricamente validado para verificar se a cultura está alinhada com a direção estratégica da empresa.
Incluir itens sobre valores em uma pesquisa de clima não a transforma em diagnóstico de cultura. A pesquisa de clima captura percepções enquanto o diagnóstico de cultura investiga pressupostos profundos, padrões comportamentais reais, rituais, sistemas de recompensa informais e o gap entre valores declarados e que são praticados.
São metodologias, profundidades e propósitos diferentes.
O diagnóstico de cultura é um instrumento estratégico aplicado em momentos específicos, que podem ser agrupados em três categorias:
1. Definição e realinhamento cultural
2. Transformações estratégicas
3. Inflexões de liderança e eventos corporativos
Cultura existe para sustentar a estratégia. Se os seus objetivos exigem agilidade e inovação, mas sua cultura recompensa conformidade e aversão ao risco, não importa quão bom seja o clima: as pessoas vão se sentir bem fazendo exatamente o que trava a estratégia.
Em resumo, saber se as pessoas estão satisfeitas (clima) não informa se elas vão se comportar da forma que a nova estratégia exige. Só o diagnóstico de cultura responde a isso.
Se sua organização está em transformação e você precisa decidir se vale investir em um diagnóstico de cultura, faça a seguinte pergunta: "As pessoas estão se comportando de forma alinhada à estratégia que precisamos executar?"
Se a resposta não for segura, é hora de diagnosticar.
Sua organização sabe se as pessoas estão se comportando de forma alinhada à estratégia que precisa executar? Ou está medindo apenas o clima e assumindo que a cultura está sob controle?
Se você busca entender o gap entre a cultura que sua empresa possui e a cultura que sua estratégia exige, nossa consultoria está pronta para apoiar essa jornada com diagnóstico e um processo estruturado de transformação cultural. Fale com nossos especialistas!